sábado, 14 de agosto de 2010




A viagem de meses e meses deixara todos extenuados e com as imagens mentais confusas e envoltas em densas e estranhas neblinas. Parecia que não tinham saído dali e percorrido Fantasia, em direcção aos sete cabos. Alguns sentiam que tinham andado em círculos e sem destino. Só se lembravam do objectivo: salvar a princesa Ju que tinha desparecido, provavelmente raptada do seu próprio palácio.

Longe, muito longe, no País dos Druídas, poderiam reencontrar a clareza para o seu pensamento e as respostas para salvarem a princesa Ju. A princesa, que se recusava a ser alimentada, ia definhando e, se os seus não se apressassem, em breve definharia.

Os Druídas eram muito sábios, filósofos, religiosos e com uma relação estreita com a Mãe Natureza. As mulheres tinham um estatuto diferente do dos homens, quase divino, por darem à luz. Eram guerreiras e tinham também uma ligação ainda mais forte à Natureza. Conseguiam ler runas. Tinham poderes mágicossem igual.

Nenhum dos elementos do grupo da expedição se lembrava, mas um deles tinha encontrado uma pedrinha e essa pedrinha era uma runa.

Quando se lembrariam? Quando iriam ter com Brigith? Será que chegariam a tempo de salvar a princesa Ju?


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O regresso?

Foto de F Nando
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Vamos regressar a Fantasia? Será que a narradora consegue? Pode voltar a faltar-lhe a inspiração! Andou algo perdida e ainda não se recompos totalmente.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A propósito de umas pistas


O unicórnio estava tão cansado que, antes de falar, bebeu litros de água e comeu frutos silvestres com pão de ló. Respirou fundo e dirigiu-se a todos os presentes.
- Amigos, habitantes de Fantasia, todos sabemos que a princesa Ju desapareceu. Há sinais nos aposentos da princesa que não saiu por sua vontade. Ela tentou resistir deitando ao chão vários objectos e até mesmo um dos cortinados. Só podemos concluir que foi raptada.
- Disso não temos dúvidas. - disseram todos.
- O que não sabem é que quem a levou deixou para trás um rasto de água, pegadas com lama e algas. Quem raptou a princesa Ju vive no mar ou num local perto do mar.
Todos informaram que tinham percorrido os sete cabos e não tinham encontrado qualquer busca. Portanto, as buscas à beira mar tinham-se revelado infrutíferas. Além disso, se o raptor fosse anfíbio, a princesa não era e a esta hora estaria morta. Não. Não podia ser.
- Eu também acho que a princesa não foi raptada por um anfíbio. Acredito, no entanto, que foi por alguém que mora perto do mar. Os vestígios deixados para trás apontam para isso.
- Sim, é uma possibilidade - respondeu a Fada Violeta.
- De certeza que não viram ou encontraram nada nessa vossa busca? - quis saber o unicórnio Olho Azul.
- Nada! - disseram todos em coro.
- Têm a certeza? Algo me diz que viram algo de diferente e que trouxeram artefactos. Pensem bem.
Não têm que me dizer agora. Sei que estão muito cansados e precisam de recarregar baterias. Quando tiverem descansado, voltaremos a encontrar-nos.
Todos concordaram. Estavam demasiado cansados e abalados para se lembrarem de todos os pormenores da viagem.

Onde estás Ju?


Os anciãos, as crianças e todos aqueles que não puderam ir em busca da princesa Ju ficaram impressionados e tristes com os relatos dos porta-vozes dos sete grupos. Em todos eles tinha havido baixas. A morte tinha cercado todos os grupos arrebatando um ou mais elementos. Daí tanta desolação.
Tinham encontrado a princesa Ju? Como estava ela? Tinham-na levado até ao palácio para se recompor? Todos disseram que não tinham encontrado qualquer vestígio que conduzisse até à princesa Ju. Alguns disseram mesmo que não havia como resgatá-la. Parecia ter-se evaporado de Fantasia.
Ouviram-se então suspiros, ais e choros. A tristeza, o desânimo, o desalento apoderava-se de todos. Fantasia não fazia sentido sem a sua beleza, o seu sorriso doce, a sua amabilidade, a sua alegria, a sua eterna juventude. Ela era um Ser total! Um ser humano que se dava e ajudava todos sem reservas. Não tinha quaisquer manifestações de ostentação, o que acontecia noutras princesas que viviam com ela. Ju era pura de alma e coração.
Perante tanta desolação, a Criança reiterou que apesar de não terem encontrado vestígios da princesa nos sete cabos, não iam desistir de a procurar. Algo lhe dizia que a encontrariam. Tinham de continuar unidos e com esperança. Não era tempo de lamúrias, pois o que era necessário era definir outra estratégia para encontrar Ju.
A Criança estava a reunir novos grupos, antes de irem descansar, quando se ouviu um galope veloz não muito longe dali. Dez minutos depois apareceu o unicórnio Olho Azul completamente suado e extenuado pelo esforço da corrida. Estava totalmente recomposto do que lhe tinha acontecido na Festa do Solstício.
Que faria ele ali? Teria alguma novidade? Todos emudeceram à espera de uma explicação, que surgiria logo depois.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Em vão



O dia seguinte não foi, de facto, nada fácil embora o dia tenha começado bem.
Antes de reiniciarem a viagem, a Criança e os seus amigos tomaram o pequeno-almoço com o casal do farol no Cabo da Sereia, na bela casa que possuíam. Foi mais um momento agradável. Assim que terminaram, retomaram a viagem.
Depois de percorridos alguns quilómetros, todos pararam para beber água e descansar. Sem ninguém dar por isso, um dos elementos do grupo afastou-se um pouco. Foi dar a um belo jardim de rosas. O perfume era suave e inebriante e encantatório. O jovem duende sentiu-se atraído por um dos canteiros que exalava um perfume mais intenso. Sem saber bem como, viu-se cercado por cobras que o picaram e o fizeram desaparecer num ápice.
Os companheiros de viagem deram pela sua falta e foram à sua procura. Nada viram. Nem mesmo o jardim de rosas, que tinha desaparecido por completo. A Criança ordenou que se prolongassem as buscas e ficassem ali naquela noite. A fada que os acompanhava, disse que isso não seria possível pois estavam num local mágico que se transformava a cada momento e que raptava quem por ali se aventurasse. Todos ficaram algo desorientados por nada poderem fazer pelo amigo. Mas se era assim, o melhor era continuarem a viagem.
Andaram por vales e montanhas. Suportaram temperaturas altas que lhes secaram os lábios. Sobreviveram a trovoadas, chuvas torrenciais e ventos fortes. Por vezes, até Minedu era obrigado a caminhar. A viagem estava a ser um autêntico pesadelo. Até que o céu ficou limpo e o sol brilhou.
Os outros grupos também tiveram de se adaptar às intempéries e à irregularidade do terreno. Os sete grupos faziam as paragens necessárias para recarregarem baterias: comiam, bebiam e dormiam ao relento, em grutas, em cabanas improvisadas.
Passaram-se semanas, meses e as buscas revelaram-se infrutíferas. Nem uma pista sobre o paradeiro da princesa Ju. Os grupos foram chegando exaustos à Clareira das Decisões.
Algures num lugar lúgubre e triste uma princesa maldizia a sua sorte.
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Foto de F Nando

segunda-feira, 24 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Início das buscas



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Entretanto os sete grupos deixaram a clareira em direcção aos sete cabos. A cada grupo coube a visita a um dos cabos. Enquanto caminharam dentro do perímetro que conheciam, avançavam com rapidez. Quando o primeiro grupo teve que subir montes íngremes, cheios de rochas e sem trilhos, a marcha abrandou. Ainda assim, continuaram a caminhar. O segundo grupo teve que ultrapassar outras dificuldades. Para além de ribeiras que transpunham a pé, foram ter a um dos muitos rios de Fantasia. Sem meios para irem para a outra margem, caminharam ao longo do curso do rio. O terceiro grupo avançou bastante e sem dificuldades. Aliás tiveram a ajuda preciosa da mulher-borboleta. Foi pura sorte. O quarto grupo perdeu-se para fugir às sucessivas aparições de um urso. O quinto e sexto grupos tiveram muitas dificuldades: cada grupo perdeu um elemento nos pântanos que desconheciam. O sétimo grupo, onde se inseria a Criança, também teve de ultrapassar algumas provas difíceis. Uma planície coberta de cinzas de um vulcão que entrara em erupção que os fez desviar do caminho, fazendo-os percorrer muitos mais quilómetros do que os que tinham pensado, sob uma nuvem cinzenta de nuvens que dificultava a respiração.
Só ao sétimo dia de viagem é que os grupos chegaram a cada um dos cabos. O primeiro grupo foi ter ao Cabo do Gigante onde, ao contrário do que o nome indicava, não havia lá nenhuma criatura gigantesca. Só o Cabo era realmente colossal, tanto que o mar ficava bem lá em baixo. Por outro lado, o farol estava completamente abandonado. Uma elfo, uma jovem e um duende entraram para ver melhor o interior do farol. O segundo grupo chegou ao Cabo das Mãos de Pedra. Aí havia a casa do faroleiro e o farol. O faroleiro recebeu-os bem, pois há muito ninguém o visitava ou ali passava. Ninguém falou no desaparecimento da princesa Ju, porque depressa constataram que o faroleiro nada sabia. Antes de partirem, o faroleiro deu-lhes a réplica de um barco, que costumava fazer manualmente para passar o tempo. Agradeceram o almoço, a prenda e puseram-se a caminho da Clareira das Decisões.
O terceiro grupo não teve melhor sorte no Cabo da Vela. O farol estava em ruínas e não viram ninguém. Um jovem apanhou do chão aquilo que parecia ser o coto de uma vela. Nada de interesse, segundo a maioria. O quarto grupo foi até ao Cabo da Lua. E não é que o Cabo tinha a forma da lua em quarto cresccente? Lá no fundo o mar estava calmo, tranquilo, azul. Os temerários desceram e um deles trouxe uma pedra com inscrições que ninguém soube decifrar, nem mesmo a fada que os acompanhava. O Cabo da Bela Vista foi encontrado pelo quinto grupo. O nome do Cabo correspondia à beleza do lugar e da Vista. Dali viram o mais belo pôr-do-sol que alguma vez tinham tido a oportunidade de observar. E ali pernoitaram. O amanhecer foi outro milagre. O sétimo grupo foi parar ao Cabo da Serpente. Aí encontraram uma velha senhora, com o rosto tisnado pelo sol e cheio de rugas. Não os recebeu nem bem, nem mal, mas todos perceberam que ela não gostava de visitas pelas palavras evasivas que trocaram.
O sétimo grupo foi ter ao Cabo da Sereia. No átrio da casa do faroleiro havia um lago com a estátua de uma sereia. O grupo foi recebido por um jovem casal de elfos, extremamente simpáticos. Todos ficaram ali instalados e passaram uma noite bem agradável. Este casal de elfos tinha-se intalado naquele lugar por gostar de sentir o barulho do mar e simultaneamente avisar as embracações que se estavam a aproximar da costa. Gostavam de viver assim. A Criança elogiou-lhes o conforto da casa e o estado de preservação do farol.
Ali não houve questões incómodas; apenas um convívio saudável, descontraído e simpático. Mas o dia seguinte seria bem diferente.

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Nota: fotos de F Nando