quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um pedido de desculpas atrasado

Admito que não tenho agido bem como autora. Abandonei Fantasia há meses e nunca dei uma explicação. Não o fiz por mal. De repente, as palavras escassearam, deixei de poder entrar nesse mundo maravilhoso e proteger as minhas personagens, que continuam presas e sem qualquer sinal de vida.
Princesa Ju, não foi minha intenção deixá-la nas mãos de estranhas criaturas e longe dos seus amigos e familiares, e ainda do seu reino. Peço desculpa.
Tenho de organizar melhor a minha agenda e voltar à escrita da sua história. As aventuras e surpresas ainda não terminaram.
Vou reler o que já narrei, tomar a minha poção de criatividade e entrar novamente em Fantasia. Devo-lhe isso e a todos os habitantes deste reino. Devo isso também aos meus leitores.
Estou de regresso. Não quero nem vou voltar atrás!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A missiva

As mãos da princesa tremeram ao abrir o pergaminho. O lacre partiu-se em pedaços caindo no chão. Ju Olhou-os antes de desenrolar a missiva e não muito longe ouviram-se corvos que, na cultura do povo de Fantasia, era um mau augúrio.
Ainda com as mãos trémulas e a voz sumida começou a ler em voz alta para que o unicórnio Olho Azul acompanhasse a leitura.
Era inevitavelmente uma mensagem do seu carcereiro.

"Cara Princesa

Não era minha intenção mantê-la cativa em condições tão deploráveis e tão pouco à vossa altura, no entanto tive de me ausentar e os meus serviçais e soldados acharam que era uma prisioneira qualquer.
Agora terá o tratamento que merece. Irá para instalações apropriadas e será tratada pelas fadas desta ilha. Durante três dias tomará banhos perfumados, a sua pele será massajada com óleos florais e o seu cabelo será tratado com cremes que o tornarão macio. Será bem alimentada. Poderá tocar piano na sala de música ou outro instrumento do vosso agrado.

A Princesa ficará numa ala e o vosso unicórnio ficará noutra. É essencial que assim seja.
A partir daqui nunca mais sofrerão humilhações. Serão como que meus convidados. Depois, Passados esses dias, serão presentes perante mim. Só então direi o que pretendo.
Espero que apreciem a estadia a partir de agora!
Um vosso admirador."

- Separados? Seremos separados? - disse o unicórnio Olho Azul. - Temo pela nossa integridade.
Perante o silêncio fundo da princesa Ju, o unicórnio calou-se e esperou que a princesa e amiga saísse daquele transe.
- Vem aí uma tempestade. Pressinto-a. - disse Ju com uma voz triste. - Se nos separam, isso só quer dizer que algo se vai passar. Mas o quê?
- Vamos aguardar e esperar. - respondeu o unicórnio.
A princesa acenou que sim, tentou rasgar o papiro sem conseguir e aproximou-se da janela gradeada. Em silêncio, olhando o céu azul, pediu a todos os seres mágicos de Fantasia que a resgatassem antes que fosse tarde demais.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Indecisões

Durante uns momentos a princesa Ju ficou estática a olhar para o brasão que estava no lacre sem abrir o pergaminho. Parecia-lhe reconhecer a família brasonada. Trocou breves palavras com Olho Azul e sentou-se no colchão, que ambos aproximaram mais da janela para a princesa ver melhor.
A imagem não era nítida, mas depois de apurada observação e com a ajuda do unicórnio chegaram à conclusão que se tratava de um centauro, o que não era um bom augúrio pois representava a brutalidade, a invencibilidade, a força. Quem escrevera aquela missiva pertencia a uma família nobre ameaçadora, poderosa. A princesa já sentira a brutalidade do seu carcereiro nos primeiros tempos que ali permanecera.
Sentia receio de abrir o pergaminho. Antes de o fazer levantou-se, foi até à janela gradeada, olhou para o exterior à procura de paz e coragem. Via apenas o mar e o céu. O mar era de um azul transparente, para se tornar de um azul mais escuro devido à profundidade. Também o céu estava azul, sem uma nuvem. O sol brilhava em todo o seu esplendor.
"Há quanto tempo estamos aqui?" - perguntou-se mentalmente. "Que nos vai acontecer? Nunca mais verei Fantasia?"
- Princesa, princesa - repetiu o unicórnio Olho Azul por ela estar tão absorta nos seus pensamentos - tem de ler o que está escrito no pergaminho. Pode ser que tenhamos uma boa surpresa.
- Achas? Não creio! Viste o brasão como eu e sabes bem o que significa.
- Sei princesa Ju, mas podemos sempre ter esperança.
- Sim, eu sei. Só que algo me diz que não será assim Olho Azul.
A princesa saiu de perto da janela, sentou-se no colchão onde tinha deixado o pergaminho mirou ainda o brasão e de seguida abriu-o.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

No País dos Druídas

Anoiteceu depressa. Depois da Criança e de Minedu terem descansado foram presentes a uma sacerdotisa. Esta igualmente bela e inteligente falou-lhes um pouco da história do povo druída. Disse-lhes que os druídas eram de uma elevada estirpe, que ocupavam o lugar de juízes, doutores, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos e até astrónomos.
Depois de ouvir estas palavras, Minedu interveio:
- Parece-me também que as mulheres têm um papel muito importante.
A sacerdotisa disse:
- Aqui todos somos iguais. Por isso as mulheres partilham com os homens os mesmos direitos. Podem mesmo divorciar-se se quiserem.
- Esta civilização assemelha-se à minha, embora não nos trajes e na beleza. As mulheres mais parecem deusas.
- E são criança.
- Têm algum tipo de escrita? Livros?
- A nossa escrita é uma escrita mágica. É uma escrita rúnica. Símbolos que são escritos em pedras. Ora esta escrita são oráculos adivinhatórios.
- Então a pedra que trago comigo é uma runa?
- Sim, Menino. Essa runa trouxe-te até nós. Precisas de saber algo?
- Sim. Tenho de encontrar a princesa Ju e o unicórnio Olho Azul que foram raptados há muito tempo.
- Aqui é o local ideal para saberes onde encontrá-los. Irão ser recebidos por outra sacerdotisa com mais idade e experiência.
- Quando? - quis saber a Criança.
- Só depois de amanhã, pois a sacerdotisa foi chamada para ler um oráculo.
- Que pena! - disse Minedu.
- Entretanto aproveitem para conhecer um pouco os druídas, convivam com as nossas crianças.
Apesar da ansiedade, a Criança e Minedu conheceram alguns druídas e o seu país.

sábado, 16 de abril de 2011

A caminho de novo

Enquanto isso, a Criança seguia o caminho que o seu amuleto indicava. Levava consigo a runa que encontrara na casa do casal de elfos. Tinham sido muito pacientes e amáveis.
Agora voava sem bem saber onde iria parar. Afastava-se das zonas habitadas de Fantasia que tão bem conhecia. Entrava num outro mundo, parecia-lhe. Havia florestas densas, rios largos e perigosos, andando mais e mais, ele e o Dragão de Penas foram dar a um pântano. Ainda bem que o dragão voava senão teriam sido engolidos pelas terras pantanosas.
Dias e noites passaram sem que a luz do amuleto se apagasse. Continuaram viagem. Ao chegarem a uma zona algo montanhosa e verdejante viram uma pequena povoação. O amuleto começou a piscar e a Criança pediu ao Dragão de Penas que descesse assim que encontrasse um largo ou uma clareira.
Assim que puseram os pés em terra firme, surgiram várias mulheres guerreiras. Uma delas, mais alta, tomou a posição dianteira.
A Criança sentindo medo. subiu para o dorso do dragão, mas antes que levantassem voo a bela guerreira disse:
- Sejam bem-vindos ao País dos Druídas. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde chegariam.
«Como é que elas sabiam?» questionou-se a Criança, pois nem ela sabia onde o amuleto a conduziria.
- Em breve conversaremos sobre o que vos traz aqui. Agora vão alimentar-se e descansar.
- Obrigada. - agradeceu a Criança.- Estamos de facto cansados.
- Levem-nos e tratem bem deles. - Disse a que parecia a líder.

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Foto de F Nando

sábado, 5 de março de 2011

Do outro lado do medo...

Depois do barulho metálico e áspero da chave a rodar na fechadura, a porta abriu-se chiando nos gonzos gastos e ferrugentos.
A princesa Ju e o unicórnio Olho Azul refugiaram-se no canto esquerdo da porta. Olho Azul colocou o seu corpo elegante e robusto à frente da princesa. Ambos sabiam que quem quer que fosse que estivesse ali, não vinha amistosamente.
Ju pedia mentalmente proteção aos seus amigos de Fantasia. Dirigia cantos melodiosos em seu nome e em nome do seu unicórnio. Gritava silenciosamente que os resgatassem do homem hediondo e bruto que os raptara.
A pessoa que estava do outro lado da porta levou algum tempo a entrar o que assustou ainda mais a princesa. Era ele. Era o homem sinistro que a queria à força para si.
O medo antes sentido, foi superado pela surpresa que a figura que entrou na sala , a custo, provocou. Era um ser híbrido. Um homem-árvore esculpido tocasmente a cinzel e formão, que se locomovia com dificuldade. Parecia uma marioneta, mas sem os cordéis para o guiarem. Apesar da estranheza da figura não tinha um ar ameaçador. Antes pelo contrário.
Ju saiu detrás do unicórnio porquanto o unicórnio lhe murmurasse para ter cuidado. Não sabiam o que iria acontecer! O homem-árvore aproximou-se dos prisioneiros e transmitiu-lhes gestualmente uma mensagem, em várias etapas e sem expressividade, pois o seu corpo de madeira não o permitia. Nem que quisesse sorrir e interiormente queria-o para lhes transmitir esperança, não conseguia. Só os seus olhos brilhavam tenuemente. Todos os seus movimentos eram quebrados, mas muito longe de transmitir um qualquer vestígio de ameaça ou outro acto de violência.
Antes de se retirar, o homem-árvore entregou um pergaminho à princesa Ju. Estava selado com lacre rubi onde se via com nitidez o selo dos fidalgos a que o mesmo pertencia. Saiu da sala de costas para a porta, fez uma vénia com dificuldade e transpôs a porta que voltou a chiar nos gonzos enquanto a fechava de novo à chave.
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Uma ilha no Atlântico

Aquele era, de facto, um lugar difícil de se lá chegar. Tratava-se de uma ilha no meio do Atlântico, longe de Fantasia e sempre envolta em neblina. Permanecia invisível a maior parte do ano! Só no Verão, graças às massas de ar quentes e secas vindas do norte de África, a ilha era visível dos quatro cantos de Fantasia.
Para chegar ao convento onde o unicórnio e a princesa Ju estavam, era uma verdadeira aventura e um constante ultrapassar de barreiras.
Primeiro era necessário tomar o barco e resistir à turbulência marítima. De seguida, ser capaz de atracar na ilha uma vez que não havia porto, mas molhes mais ou menos visíveis. A seguir, subir uma colina pedregosa, bastante íngreme, em rocha . Uma vez chegado ao topo, descer umas escadas em pedra, irregulares, ora estreitas, ora largas, ora completas, ora incompletas. Além disso, a descida era acentuada e bastante longa. Por fim, tinha de se atravessar uma ponte para se chegar ao convento fortificado. Este desenhava-se numa planta poligonal irregular, apresentava uma edificação principal no terrapleno, com treze salas ou quartos e mais sete compartimentos no interior das muralhas. Um corredor sem iluminação dava acesso internamente aos vários pontos da estrutura.
O unicórnio Olho Azul e a princesa Ju estavam numa das salas do convento. Não havia móveis na divisão. Só dois colchões e água potável numa jarra. Da janela gradeada entravam raios de sol.
A certa altura ouviu-se a chave a destrancar a fechadura da porta principal. O unicórnio aproximou-se de Ju para a proteger. Quem estaria do outro da porta?
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Foto de F Nando

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Liana e Hector


Liana e Hector colocaram a Criança e Minedu à vontade. Disseram-lhes que podiam procurar por todo o lado ainda que as águas furtadas fossem uma divisão grande. Era realmente espaçosa e estava muito bem decorada. Havia estantes com livros com lombadas gravadas a ouro, uma secretária e uma cadeira (local de trabalho, com certeza), e num dos recantos sofás de veludo verde garrafa e uma mesa ao centro onde repousavam alguns objectos.
Nas paredes havia quadros com o retrato de alguns elfos, espadas com o punho trabalhado com motivos da natureza e medalhões das diferentes famílias de Elfos.
Candelabros de pé alto e com vários braços que sustinham velas verdes e carmim. Nas janelas havia reposteiros igualmente verdes e cortinas cor de mel em cambraia. Era uma divisão acolhedora. Muito!
O amuleto continuava a brilhar. Brilhava em todas as direções. Liana aconselhou a Criança a disciplinar as buscas. A começar por um ponto e só depois seguir para outro. Na estante dos livros o brilho do amuleto esmoreceu. Junto da secretária e depois de abrir e fechar as gavetas nada de novo aconteceu. O amuleto mantinha-se apenas iluminado. A seguir, a Criança passou para o local onde estavam as asmas, os medalhões e os quadros e nada. Faltava-lhe ir ao recanto mais encantador das águas furtadas.
Hector pediu a todos que se sentassem e esperassem um pouco. Achava que ali estava a resposta para aquela estadia ali. Sentaram-se. A Criança estava desanimada, assim como Minedu. Liana deu um beijo no rosto da Criança e abraçou-se durante algum tempo. A Criança achou aquele abraço muito reconfortante.
Entretanto, incapazes de explicarem, o amuleto começou a brihar e a piscar com intensidade. O que quer que fosse, estava com certeza em cima da mesa de centro. Depois de abrir os livros, de tirar as flores da jarra, abriram uma pequena caixa de marfim. O amuleto não parava de piscar. Retiraram a rocha com desenhos e o amuleto parou de brilhar. Tinham encontrado o que procuravam.
Como a Criança não conhecia aquela rocha pintada, Liana e Hector explicaram que se tratava de uma runa. As runas ajudavam na previsão do futuro e a encontrar soluções para as grandes questões da vida das pessoas.
- Posso levar a runa? - perguntou a Criança.
- Claro! - disseram os elfos a uma voz.
- Mas como nos vai ajudar? - quis saber Minedu.
- Têm de ir ao País dos Druídas. Aí as runas serão lançadas e interpretadas por uma das sacerdotisas. - explicou Liana.
- Será que é desta que vamos encontrar a princesa Ju?
- Claro que sim, Criança. Segue o teu amuleto, segue o teu coração, leva a runa e acredita na tua força. Tens tido muita coragem!
- Obrigada. Sois muito gentis.
Despediram-se e partiram agradecendo a ajuda e amabilidade de Liana e Hector.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Novos Sinais

Quando a luz do amuleto brilhou, sem que ninguém visse a não ser a Criança, esta não soube de imediato o que fazer. É que estava na aula de Espanhol e tinha de ser muito convincente para sair da sala. A Criança ergueu o braço para poder falar.
A professora Carmen ouviu atentamente a Criança e aceitou a sua explicação. Se tinha dentista marcado, que fosse à consulta. Tinha era de trazer a justificação para entregar à Directora de Turma.
O plano não dera cem por cento certo, porém conseguira sair. Era necessário seguir as indicações do amuleto.
Foi ter com Minedu nas traseiras do pavilhão gimnodesportivo, subiu para o seu dorso e elevaram-se nos céus.
Assim que entraram em Fantasia, o amuleto conduziu-os a casa de um casal de elfos. A Criança não compreendia por que estavam ali. Sabia sim que a princesa Ju não estava ali. Aquele era um jovem e respeitável casal, a quem os elfos obedeciam.
Minedu aterrou, a Criança apeou-se e bateu à porta. Os elfos mandaram-nos entrar. A Criança explicou que recebera um alerta do amuleto que o conduzira ali e não sabia porquê. Os elfos também não conseguiam explicar por que tinham sido trazidos até ali. Nada sabiam. Não tinham qualquer pista. O desalento tomou conta da Criança. Foi aí que Minedu interveio.
- Se estamos aqui é porque têm algo que nos ajudará.
- O quê? - perguntou o Elfo.
- Um livro antigo de Fantasia, um objecto, uma jóia. - insistiu Minedu.
-Não, temos pena.
Enquanto tomavam um delicioso e odorífero chá, o amuleto voltou a brilhar. A Criança pediu licença, ergueu-se pronta a segui-lo, e este levou-o às águas-furtadas da casa dos elfos.
Estaria o amuleto a conduzi-la na direção certa? Que iria encontrar? Não estaria a invadir a privacidade do casal? Será que o amuleto não se iria enganar de novo?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Momentos difíceis


Ju ouviu o arfar da criatura, que ela imaginava hedionda e capaz de a devorar, e encolheu-se ainda mais. Sentia-se aterrada, sobretudo porque odiava o ar insalubre e a falta de luz. Vencida pelo cansaço, adormeceu.

- Princesa Ju? Princesa Ju? - Mas nem uma única resposta.

- Acordai, princesa! Por favor, acordai!

A princesa parecia ter desfalecido porquanto estivesse ainda viva. Mas não se mexia e a sua respiração era fraca. A criatura aproximou-se da princesa a muito custo, pois estava ferida e sangrava. Voltou a chamar bem junto ao ouvido da princesa:

- Acorde minha Princesa. Peço-lhe desculpa por ter posto a sua vida em risco. Estamos nas masmorras de um convento e nas mãos de um homem terrível.

A criatura deitou-se e aconchegou o seu corpo ao da princesa. Estava enregelada. Precisava de calor para recuperar a consciência.

Horas passaram e nada aconteceu. Dias passaram e a princesa Ju começou a delirar de tão febril que estava. E foi numa das visitas do carcereiro que este retirou a princesa e a criatura para uma sala com luz e colchões de palha. Depois apareceu uma velha curandeira que tratou com mezinhas antiquíssimas da princesa e da criatura. Ambos melhoraram depois de meses e meses. A princesa ficou feliz ao reconhecer na criatura que tanto a tinha assustado o seu amigo unicórno.

O tempo passou e em Fantasia o medo de ter perdido não só a princesa Ju como o unicórnio Olho Azul parecia cada vez mais uma certeza. Alguns habitantes lamentavam a sorte de ambos, outros choravam, outros nada faziam no dia a dia.

Será que estava tudo perdido? Estariam mortos e esquecidos algures?

Não. Nós sabemos que não, verdade? Alguém num lugar bem distante ouviu o pedido de socorro da princesa e está agora a preparar-se para uma longa jornada! Quem será?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Lá longe...

- SOCORRO!

- SOCORRO!!!

- TIREM-ME DAQUI... POR FAVOR!

A princesa Ju sentia-se perdida e à mercê de um destino que não merecia. Ninguém a encontraria... por muito que gritasse. Porém, num lugar bem, bem longe o seu pedido de socorro foi ouvido.
Ju não sabia, claro. No entanto, havia ainda a hipótese de um milagre acontecer... ou não.
Quem a teria ouvido?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

COMUNICADO

Narradora de FANTASIA com problemas em regressar a FANTASIA

A narradora de FANTASIA, depois de vários meses de ausência, regressa hoje a este blogue e a esta história. Sabe-se por fontes próximas que passou por alguns momentos menos bons e que a sua mente não assimilou bem as mudanças ocorridas no final do ano transato. Deixou de estar profissionalmente ativa depois de um moroso processo de observação e relatórios médicos.

Já mais tranquila Nathalie Armindo promete voltar à redação desta história. As ideias, as personagens, o enredo, voltam a fazer parte do seu dia a dia. Basta-lhe organizar melhor essas mesmas ideias e voltar a escrever.

Esta bloguista confessou-nos que está ansiosa para voltar à escrita, sua verdadeira vocação.

sábado, 14 de agosto de 2010




A viagem de meses e meses deixara todos extenuados e com as imagens mentais confusas e envoltas em densas e estranhas neblinas. Parecia que não tinham saído dali e percorrido Fantasia, em direcção aos sete cabos. Alguns sentiam que tinham andado em círculos e sem destino. Só se lembravam do objectivo: salvar a princesa Ju que tinha desparecido, provavelmente raptada do seu próprio palácio.

Longe, muito longe, no País dos Druídas, poderiam reencontrar a clareza para o seu pensamento e as respostas para salvarem a princesa Ju. A princesa, que se recusava a ser alimentada, ia definhando e, se os seus não se apressassem, em breve definharia.

Os Druídas eram muito sábios, filósofos, religiosos e com uma relação estreita com a Mãe Natureza. As mulheres tinham um estatuto diferente do dos homens, quase divino, por darem à luz. Eram guerreiras e tinham também uma ligação ainda mais forte à Natureza. Conseguiam ler runas. Tinham poderes mágicossem igual.

Nenhum dos elementos do grupo da expedição se lembrava, mas um deles tinha encontrado uma pedrinha e essa pedrinha era uma runa.

Quando se lembrariam? Quando iriam ter com Brigith? Será que chegariam a tempo de salvar a princesa Ju?


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O regresso?

Foto de F Nando
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Vamos regressar a Fantasia? Será que a narradora consegue? Pode voltar a faltar-lhe a inspiração! Andou algo perdida e ainda não se recompos totalmente.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A propósito de umas pistas


O unicórnio estava tão cansado que, antes de falar, bebeu litros de água e comeu frutos silvestres com pão de ló. Respirou fundo e dirigiu-se a todos os presentes.
- Amigos, habitantes de Fantasia, todos sabemos que a princesa Ju desapareceu. Há sinais nos aposentos da princesa que não saiu por sua vontade. Ela tentou resistir deitando ao chão vários objectos e até mesmo um dos cortinados. Só podemos concluir que foi raptada.
- Disso não temos dúvidas. - disseram todos.
- O que não sabem é que quem a levou deixou para trás um rasto de água, pegadas com lama e algas. Quem raptou a princesa Ju vive no mar ou num local perto do mar.
Todos informaram que tinham percorrido os sete cabos e não tinham encontrado qualquer busca. Portanto, as buscas à beira mar tinham-se revelado infrutíferas. Além disso, se o raptor fosse anfíbio, a princesa não era e a esta hora estaria morta. Não. Não podia ser.
- Eu também acho que a princesa não foi raptada por um anfíbio. Acredito, no entanto, que foi por alguém que mora perto do mar. Os vestígios deixados para trás apontam para isso.
- Sim, é uma possibilidade - respondeu a Fada Violeta.
- De certeza que não viram ou encontraram nada nessa vossa busca? - quis saber o unicórnio Olho Azul.
- Nada! - disseram todos em coro.
- Têm a certeza? Algo me diz que viram algo de diferente e que trouxeram artefactos. Pensem bem.
Não têm que me dizer agora. Sei que estão muito cansados e precisam de recarregar baterias. Quando tiverem descansado, voltaremos a encontrar-nos.
Todos concordaram. Estavam demasiado cansados e abalados para se lembrarem de todos os pormenores da viagem.

Onde estás Ju?


Os anciãos, as crianças e todos aqueles que não puderam ir em busca da princesa Ju ficaram impressionados e tristes com os relatos dos porta-vozes dos sete grupos. Em todos eles tinha havido baixas. A morte tinha cercado todos os grupos arrebatando um ou mais elementos. Daí tanta desolação.
Tinham encontrado a princesa Ju? Como estava ela? Tinham-na levado até ao palácio para se recompor? Todos disseram que não tinham encontrado qualquer vestígio que conduzisse até à princesa Ju. Alguns disseram mesmo que não havia como resgatá-la. Parecia ter-se evaporado de Fantasia.
Ouviram-se então suspiros, ais e choros. A tristeza, o desânimo, o desalento apoderava-se de todos. Fantasia não fazia sentido sem a sua beleza, o seu sorriso doce, a sua amabilidade, a sua alegria, a sua eterna juventude. Ela era um Ser total! Um ser humano que se dava e ajudava todos sem reservas. Não tinha quaisquer manifestações de ostentação, o que acontecia noutras princesas que viviam com ela. Ju era pura de alma e coração.
Perante tanta desolação, a Criança reiterou que apesar de não terem encontrado vestígios da princesa nos sete cabos, não iam desistir de a procurar. Algo lhe dizia que a encontrariam. Tinham de continuar unidos e com esperança. Não era tempo de lamúrias, pois o que era necessário era definir outra estratégia para encontrar Ju.
A Criança estava a reunir novos grupos, antes de irem descansar, quando se ouviu um galope veloz não muito longe dali. Dez minutos depois apareceu o unicórnio Olho Azul completamente suado e extenuado pelo esforço da corrida. Estava totalmente recomposto do que lhe tinha acontecido na Festa do Solstício.
Que faria ele ali? Teria alguma novidade? Todos emudeceram à espera de uma explicação, que surgiria logo depois.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Em vão



O dia seguinte não foi, de facto, nada fácil embora o dia tenha começado bem.
Antes de reiniciarem a viagem, a Criança e os seus amigos tomaram o pequeno-almoço com o casal do farol no Cabo da Sereia, na bela casa que possuíam. Foi mais um momento agradável. Assim que terminaram, retomaram a viagem.
Depois de percorridos alguns quilómetros, todos pararam para beber água e descansar. Sem ninguém dar por isso, um dos elementos do grupo afastou-se um pouco. Foi dar a um belo jardim de rosas. O perfume era suave e inebriante e encantatório. O jovem duende sentiu-se atraído por um dos canteiros que exalava um perfume mais intenso. Sem saber bem como, viu-se cercado por cobras que o picaram e o fizeram desaparecer num ápice.
Os companheiros de viagem deram pela sua falta e foram à sua procura. Nada viram. Nem mesmo o jardim de rosas, que tinha desaparecido por completo. A Criança ordenou que se prolongassem as buscas e ficassem ali naquela noite. A fada que os acompanhava, disse que isso não seria possível pois estavam num local mágico que se transformava a cada momento e que raptava quem por ali se aventurasse. Todos ficaram algo desorientados por nada poderem fazer pelo amigo. Mas se era assim, o melhor era continuarem a viagem.
Andaram por vales e montanhas. Suportaram temperaturas altas que lhes secaram os lábios. Sobreviveram a trovoadas, chuvas torrenciais e ventos fortes. Por vezes, até Minedu era obrigado a caminhar. A viagem estava a ser um autêntico pesadelo. Até que o céu ficou limpo e o sol brilhou.
Os outros grupos também tiveram de se adaptar às intempéries e à irregularidade do terreno. Os sete grupos faziam as paragens necessárias para recarregarem baterias: comiam, bebiam e dormiam ao relento, em grutas, em cabanas improvisadas.
Passaram-se semanas, meses e as buscas revelaram-se infrutíferas. Nem uma pista sobre o paradeiro da princesa Ju. Os grupos foram chegando exaustos à Clareira das Decisões.
Algures num lugar lúgubre e triste uma princesa maldizia a sua sorte.
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Foto de F Nando

segunda-feira, 24 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Início das buscas



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Entretanto os sete grupos deixaram a clareira em direcção aos sete cabos. A cada grupo coube a visita a um dos cabos. Enquanto caminharam dentro do perímetro que conheciam, avançavam com rapidez. Quando o primeiro grupo teve que subir montes íngremes, cheios de rochas e sem trilhos, a marcha abrandou. Ainda assim, continuaram a caminhar. O segundo grupo teve que ultrapassar outras dificuldades. Para além de ribeiras que transpunham a pé, foram ter a um dos muitos rios de Fantasia. Sem meios para irem para a outra margem, caminharam ao longo do curso do rio. O terceiro grupo avançou bastante e sem dificuldades. Aliás tiveram a ajuda preciosa da mulher-borboleta. Foi pura sorte. O quarto grupo perdeu-se para fugir às sucessivas aparições de um urso. O quinto e sexto grupos tiveram muitas dificuldades: cada grupo perdeu um elemento nos pântanos que desconheciam. O sétimo grupo, onde se inseria a Criança, também teve de ultrapassar algumas provas difíceis. Uma planície coberta de cinzas de um vulcão que entrara em erupção que os fez desviar do caminho, fazendo-os percorrer muitos mais quilómetros do que os que tinham pensado, sob uma nuvem cinzenta de nuvens que dificultava a respiração.
Só ao sétimo dia de viagem é que os grupos chegaram a cada um dos cabos. O primeiro grupo foi ter ao Cabo do Gigante onde, ao contrário do que o nome indicava, não havia lá nenhuma criatura gigantesca. Só o Cabo era realmente colossal, tanto que o mar ficava bem lá em baixo. Por outro lado, o farol estava completamente abandonado. Uma elfo, uma jovem e um duende entraram para ver melhor o interior do farol. O segundo grupo chegou ao Cabo das Mãos de Pedra. Aí havia a casa do faroleiro e o farol. O faroleiro recebeu-os bem, pois há muito ninguém o visitava ou ali passava. Ninguém falou no desaparecimento da princesa Ju, porque depressa constataram que o faroleiro nada sabia. Antes de partirem, o faroleiro deu-lhes a réplica de um barco, que costumava fazer manualmente para passar o tempo. Agradeceram o almoço, a prenda e puseram-se a caminho da Clareira das Decisões.
O terceiro grupo não teve melhor sorte no Cabo da Vela. O farol estava em ruínas e não viram ninguém. Um jovem apanhou do chão aquilo que parecia ser o coto de uma vela. Nada de interesse, segundo a maioria. O quarto grupo foi até ao Cabo da Lua. E não é que o Cabo tinha a forma da lua em quarto cresccente? Lá no fundo o mar estava calmo, tranquilo, azul. Os temerários desceram e um deles trouxe uma pedra com inscrições que ninguém soube decifrar, nem mesmo a fada que os acompanhava. O Cabo da Bela Vista foi encontrado pelo quinto grupo. O nome do Cabo correspondia à beleza do lugar e da Vista. Dali viram o mais belo pôr-do-sol que alguma vez tinham tido a oportunidade de observar. E ali pernoitaram. O amanhecer foi outro milagre. O sétimo grupo foi parar ao Cabo da Serpente. Aí encontraram uma velha senhora, com o rosto tisnado pelo sol e cheio de rugas. Não os recebeu nem bem, nem mal, mas todos perceberam que ela não gostava de visitas pelas palavras evasivas que trocaram.
O sétimo grupo foi ter ao Cabo da Sereia. No átrio da casa do faroleiro havia um lago com a estátua de uma sereia. O grupo foi recebido por um jovem casal de elfos, extremamente simpáticos. Todos ficaram ali instalados e passaram uma noite bem agradável. Este casal de elfos tinha-se intalado naquele lugar por gostar de sentir o barulho do mar e simultaneamente avisar as embracações que se estavam a aproximar da costa. Gostavam de viver assim. A Criança elogiou-lhes o conforto da casa e o estado de preservação do farol.
Ali não houve questões incómodas; apenas um convívio saudável, descontraído e simpático. Mas o dia seguinte seria bem diferente.

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Nota: fotos de F Nando

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Na escuridão

Foto de F Nando
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Estava muito, muito escuro. Extremamente. O lugar era soturno, lúgubre e cheirava a água insalubre. Fazia um frio húmido azul esverdeado. A água escorria pelas rochas cheias de limos e fissuras cortantes. Ouvia-se o arfar rouco de uma qualquer criatura hedionda. Parecia estar ali. Sim, estava ali bem perto. A perspectiva da sua presença mortificava-a e assustava-a.
O medo parecia tomar forma nos sons, odores e formas que não se vendo, se podiam pressentir. Sentia medo de sufocar como uma indigente, numa local sem saída, sem luz. Depois havia aquela maldita humidade que lhe tolhia os movimentos e a obrigava a enrolar-se sobre si mesma. Que medo era aquele que a paralisava? Onde estava a sua coragem? Quando perdera os sentidos!? E por que os perdera?
Só um feitiço maldoso e poderoso poderia fazê-la prisioneira. Nunca fora de ter medo e receios infundados. Aprendera desde pequena, depois da morte dos pais, a sobreviver ao medo, ao escuro, ao desconhecido. Nunca nada a assustava. Excepto agora. Não sabia se estava acima da superfície ou sob ela, numa gruta qualquer ou numas masmorras.
Questionava-se também sobre a forma como fora ali parar. Aliás, perdera grande parte das memórias dos últimos tempos. Nem sabia quem era, como era. Tocou-se. Tocou o rosto, o cabelo, a roupa molhada e colada ao corpo, as mãos onde sentiu um anel. Era uma simples rapariga feita prisioneira ou que se perdera num dos seus possíveis passeios... Apeteceu-lhe gritar, chorar alto, porém ao ouvir o arfar rouco da criatura permaneceu bem calada.
Prestou maior atenção aos ruídos. O gotejar da água tornou-se mais audível, o cheiro de água podre era mais intenso, a respiração da criatura parecia cada vez mais perto. Precisava sair dali. Não havia nem uma luzinha. Nada de nada. Encostou-se às paredes da gruta. E esperou...