quinta-feira, 6 de maio de 2010

Revelações

Foto de F Nando
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A Criança e Minedu sobrevoaram os céus nocturnos de Fantasia durante algumas horas. Sobrevoaram povoações, montanhas escarpadas e a uma grande altitude. Sobrevoaram ainda a costa marítima, e todos os cabos. Nem uma única vez o amuleto brilhou ou deu uma nova indicação. Entre os voos a grande altitude e voos rasantes nada de diferente aconteceu. Desiludidos, Minedu foi pôr a Criança a casa. Despediu-se de Minedu com um grande abraço e entrou em casa pela janela do quarto, que deixara entreabaerta.


Foi directa à casa-de-banho, de seguida vestiu o pijama tentando não fazer muito barulho. Deitou-se de barriga para o ar, com as mãos debaixo da nuca. Reviu mentalmente tudo o que as fadas tinham dito e as buscas em vão que tinha iniciado. Mas as verdadeiras buscas começariam na manhã seguinte. Todos partiriam da Clareira das Decisões.


Por mais que tentasse, não conseguia dormir. Lembrou-se da primeira vez que viu a princesa Ju. Nunca vira uma jovem tão bonita, com uns olhos tão doces e serenos, com um sorriso tão meigo e que tratava todos da mesma forma. Gostava imenso de a ouvir falar, pois tinha sempre histórias interessantes para contar.


Estava envolta nestes pensamentos, quando bateram ao de leve na porta. Fingiu que dormia. Não se levantou nem respondeu ao chamamento. Voltaram a bater. Continuou a fingir que dormia. Então a porta abriu-se e a irmã da Criança entrou. Aproximou-se da cama e olhou para a Criança. A menina chamou-a. A Criança continuou a fingir. Mas de nada lhe valeu, pois a irmã acabou por acordá-la.


- Não deverias estar a dormir, minha menina? - perguntou a Criança.


- Sim, devia. Só que tive um sonho muito estranho que tenho que te contar.


- Não pode ficar para amanhã, maninha?


- Não. A não ser que queiras continuar à procura da princesa Ju às cegas?


A Criança olhou-a com surpresa, incompreensão e total perplexidade. Depois pediu à irmã que lhe contasse o sonho. Logo veria se era importante.


E a menina contou:


- Sei que às vezes sais à noite sem os pais saberem e que vais ter com amigos teus.


- Não me digas que já disseste ao pai e à mãe? Foram eles que te pediram para me vigiares?


- Claro que não, achas? Como te estava a dizer, esta noite tive um sonho estranho. Vi-te numa gruta, num lugar húmido e escuro. Estavas prisioneiro. E eu não sabia o que fazer para te salvar.


- E que mais? - perguntou a Criança curiosa, pois ali podia encontrar uma pista para chegar até à princesa Ju.


- Havia um monstro horroroso que se preparava para torturar a princesa Ju que não queria casar com ele. Ele insistia, ela chorava e quando ele ia para pegar nela ao colo, tu apareceste e o monstro deu-te um golpe brutal atirando-te contra as rochas. Foi nesta altura que acordei. Promete-me que não sais mais à noite. Nem que vias sozinho à procura da princesa.


- Que pesadelo, mana. Anda cá - e abraçou-a com carinho,- nada me vai acontecer.


- De certeza?


- Claro. Anda, vou levar-te para o teu quarto e só saio de lá quando estiveres a dormir.


- Upa! Que bom.


Ambas adormeceram. Mas aos primeiros raios de sol, a Criança e Minedu e todos os outros se encontravam na Clareira das Decisões. Depois do pequeno-almoço e das primeiras orientações, os sete grupos partiram em direcção aos Cabos, prestando sempre atenção aos perigos de uma viagem fora do perímetro conhecido de Fantasia.


9 comentários:

  1. Esta história está cada vez melhor, estou a adorar.
    Bjocas
    Patty

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  2. Olá Patty

    Ainda tenho muitas ideias a frvilhar na minha mente. Vamos ver se a história continua tão interessante como até aqui.
    Tem sido um prazer escrevê-la. Acho que vou mesmo acabar por publicá-la com ilustrações de um amigo meu que tem um curso de design e que desenha belissimamente.

    Beijinhos e obrigada pela força.

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  3. Que bom é ter uma alma assim, cheia de fantasia para partilhar.
    Bjs Catarina

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  4. Olá Catarina,

    Nem sempre este assomo de criatividade acontece. Mas quando acontece, passo momentos muito divertidos e esqueço a rotina do dia-a-dia.


    Beijinhos

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  5. Olá Patty,

    ainda bem que esta história preenche o teu imaginário. Parece que voltamos s er Crianças!

    Beijocas

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  6. Olá Catarina,

    Sou uma pessoa comum que gosta de sonhar e de pôr os outros a sonhar comigo.


    Beijinhos

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  7. Óptimo Carlos. Gosto de saber que te integras neste tipo de leituras.

    Beijos

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  8. Uau a criança tem uma mana. Está cada vez melhor. Beijinhos.

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