
Ainda com as mãos trémulas e a voz sumida começou a ler em voz alta para que o unicórnio Olho Azul acompanhasse a leitura.
Era inevitavelmente uma mensagem do seu carcereiro.
"Cara Princesa
Não era minha intenção mantê-la cativa em condições tão deploráveis e tão pouco à vossa altura, no entanto tive de me ausentar e os meus serviçais e soldados acharam que era uma prisioneira qualquer.
Agora terá o tratamento que merece. Irá para instalações apropriadas e será tratada pelas fadas desta ilha. Durante três dias tomará banhos perfumados, a sua pele será massajada com óleos florais e o seu cabelo será tratado com cremes que o tornarão macio. Será bem alimentada. Poderá tocar piano na sala de música ou outro instrumento do vosso agrado.
A Princesa ficará numa ala e o vosso unicórnio ficará noutra. É essencial que assim seja.
A partir daqui nunca mais sofrerão humilhações. Serão como que meus convidados. Depois, Passados esses dias, serão presentes perante mim. Só então direi o que pretendo.
Espero que apreciem a estadia a partir de agora!
Um vosso admirador."
- Separados? Seremos separados? - disse o unicórnio Olho Azul. - Temo pela nossa integridade.
Perante o silêncio fundo da princesa Ju, o unicórnio calou-se e esperou que a princesa e amiga saísse daquele transe.
- Vem aí uma tempestade. Pressinto-a. - disse Ju com uma voz triste. - Se nos separam, isso só quer dizer que algo se vai passar. Mas o quê?
- Vamos aguardar e esperar. - respondeu o unicórnio.
A princesa acenou que sim, tentou rasgar o papiro sem conseguir e aproximou-se da janela gradeada. Em silêncio, olhando o céu azul, pediu a todos os seres mágicos de Fantasia que a resgatassem antes que fosse tarde demais.